Entrevista do sócio Omar Tabach ao site JogosPolíticos.com.br

Elia a seguir a entrevista dada pelo sócio Omar Tabach ao site JogosPolítcos.com.br, sobre as dificuldades política inerentes à função do gestor de Supply Chain.

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"Omar é um executivo experiente com muita experiência em Supply chain. Ele foi presidente de consultoria e hoje é sócio da Vista Consulting. O Mauricio conversou brevemente com ele sobre sua experiência com Jogos Políticos em Supply Chain.

 

Mauricio: Eu queria que você me contasse um pouco, já que você tem muita experiência em Supply Chain, que tipo de jogos você já viu em Supply Chain especificamente, e de onde eles vêm.

Omar: A natureza do executivo da função Supply Chain é gerenciar objetivos conflitantes. O executivo de Supply Chain é o mediador na cadeia de valor da operação. Assim, ele está no meio de um diretor de produção, de um gerente industrial que precisa aumentar a sua produtividade ao máximo com um item, por exemplo. Ou seja, se ele produzir um item só e não parar a linha de produção, ele atingiu as metas de produtividade dele. 

Mauricio: Onde começa e onde termina o Jogo?

Omar: O jogo começa quando o executivo funcional, comercial, industrial quer trazer sua agenda pessoal mais forte que a agenda da empresa: “Olha o mais importante é manter os custos de produção baixos, minha meta de desempenho tá associada a produtividade, não vou mudar, fazer o mix de produtos que o comercial quer”.  Então começa um jogo de interesse, quem grita mais, leva mais. Esse é um dos jogos muito fortes.
Um outro jogo que vejo é principalmente na gestão de inventários. Eu vi numa empresa de alimentos, o gerente do Sul falava: “Eu preciso da pizza aqui...”  (pizza é um exemplo genérico, não vou comentar o nome da empresa...) “Eu preciso de pizza aqui porque eu vou vender muito”. E ele enche o estoque dele de pizza e empurra preços com descontos porque ele está sobre-estocado, e empurra para o mercado. Enquanto que eventualmente, um gerente do Nordeste, que não gritou tanto, poderia ter vendido sem desconto e não vendeu por falta de estoque...
Então começa também um jogo de poder, de ser amigo do chefe, de trazer a agenda dele: “Não, mas eu já falei com o presidente, ele disse para mandar para cá...”. Então de novo a função do Supply Chain acaba na berlinda dentro desses jogos.

Mauricio: Interessante porque são vários jogos sendo compostos. Tem que falar com o chefe, ao mesmo tempo tem uma reserva secreta de “pizzas”. Então você tem vários jogos se compondo. Muito interessante.
Você tem ideias de soluções para diminuir estes jogos?

Omar: Maurício, o que catalisa mais esse jogo, é você não ter um sistema de indicadores de desempenho adequado. Você tem um indicador que prevalece  o indivíduo e a função e não o processo; então o executivo de Supply Chain tem que ser um herói para equalizar, ele tem que usar muita persuasão.
Se você tem um gestor que crie um indicador de processo você reduz esse jogo de uma forma tangível. Além disto, a posição hierárquica do executivo de Supply Chain deve ser no mínimo igual ao de seus pares de área funcionais e, preferencialmente, reportar diretamente ao CEO da companhia.

Mauricio: Excelente! Muito bom! Obrigado!"


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